A Desconstrução

Eu vou a chão, e que nada me sustente.
É face a face não no espelho de mim,
Mas no que sou sem imagem.
Eu vou ao chão nas minhas construções
Ora ver ruir os cuidados e as bases,
E que nada me sustente nas cinzas indistintas,
E que nada me decifre no caos e no queimar dos olhos:
Que do pó e da lágrima,
Depois que vento é do tempo ação,
Há de ser água a emprestar à vida condição,
Num instante do que é prestes a se fazer,
O nada se figura em ponte,
E eu vou ao chão, em água deitar,
Não me sustento,
E há de ser o fogo a vida a começar,
Se espalhar eu, pela água, em meu elemento.
E eu vou ao chão, sem laços de sustento na base,
Lapsos da construção, amando o ruir dos espelhos:
Meus reinos sem capitais.
Não mais reflexo, eu sou imagem.
Eu vou ao chão sem cuidados,
Mesmo que indistinta nas cinzas,
O caos se decifra no queimar das águas nos olhos:
Na lágrima o tempo em ação que com o vento vem o depois.
E dos meus olhos me fiz de vida condição e do nada um instante:
Criação, eu em meu elemento.
E eu vou ao chão, porque sou ponte,
E no fogo a vida pela água, do começo ao se espalhar,
Eu em meu sustento.
Eu vou ao chão, para chão ser.
23 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.