É o que vem a desenhar o compasso Num passo a passo dos traços nossos, agora Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se É o nos fazer girar esse compasso Que de agora os passos nada de antes se classifica É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir Não há redores dele a passar-nos No que é nossa forma e nosso conteúdo. Alguns passos outros e passamos a girar Nele, tempo nosso, escalas menores No que d’alma atributos maiores Os passos eu não conto no desenho Passo os traços no agora Venho e faço descompasso A girar vida afora Roda grande que fecha Roda de dentro se abre Passa o tempo a ser nosso Gira a alma com passos maiores
É o que vem a desenhar o compasso Num passo a passo dos traços nossos, agora Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se É o nos fazer girar esse compasso Que de agora os passos nada de antes se classifica É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir Não há redores dele a passar-nos No que é nossa forma e nosso conteúdo. Alguns passos outros e passamos a girar Nele, tempo nosso, escalas menores No que d’alma atributos maiores Os passos eu não conto no desenho Passo os traços no agora Venho e faço descompasso A girar vida afora Roda grande que fecha Roda de dentro se abre Passa o tempo a ser nosso Gira a alma com passos maiores
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Plena Fico em Cada Contradição
Suspiro de realidade Conto-me em paixão Plena fico Em cada contradição. Essa é a minha hora: Tema sem exatidão, Esse é o meu título: Tempo sem previsão. Tic-tac soam meus passos No chão: Donos do compasso eles são. Tic-tac: ouço dos meus pés A estação Com a minha noção de tempo: Caminho eles são.
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A Juventude
Eu sou cheia de sonhos antigos. Como para o meu corpo está o sangue, Para o meu coração, os sonhos. E antigos são como o que me fez Mover pela primeira vez, E antigos como o ar em meus pulmões. Eu sou cheia de sonhos antigos. Sonhos que eu nasci sonhando, Suntuosos como os passos que me Levaram longe deles, Cintilantes como a luz que os reacendeu. Santos e serpentes, signos e sóis, Simples como os mares navegados, Antigos são os sonhos que me preenchem, Secretos como a essência do silêncio pronunciado. Em todas as minhas idades, Eu, cheia de sonhos antigos. Fossem sonhos em meu esquecimento guardados, Sonhando serem por mim sonhados, Sejam sonhos despertos no meu realizar, São todos os sonhos os mesmos, Os mais antigos que a minha consciência de sonhar. Eu sou cheia de sonhos antigos, O sangue do meu coração, O primeiro mover do meu corpo. Sonhos de antes de nascer o ar, Passeando suntuosos dentro de mim, Quando longe de cintilar na luz Do meu reascender em sonhar. Sonhos mais antigos que o segredo do silêncio, Que a essência dos sóis sobre os mares, Simples no que me preenchem. Antigos são os sonhos que fizeram a idade em mim, Eu sou a idade dos meus sonhos, E no meu corpo, santos são os signos Da idade dos meus sonhos. Eu sou cheia de sonhos antigos, Sonhos nascidos antes da minha consciência sonhar, E sou cheia, no corpo e no coração, Da idade dos sonhos, Como o primeiro respirar, É a juventude sempre em mim a suspirar.
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O Segredo
Vem ouvir esse segredo...coração meu. Que Amor em paz é poder amar na batalha. E os nossos dias já ausentes de visão Foram lutados lá fora, nós e o mundo, Um mundo todo contra nós a lutar. Lá atrás fez-se a esperança No que a humanidade fraca falha, No que a compaixão e a fé em outros corações demora. Vem ouvir esse segredo...do longe ao coração meu. Que Amor em paz se ama lutando. E as nossas primeiras provas foram nós e o mundo, Nós, um mundo todo a lutar, Em provas de outrora, na intolerância alheia, A nossa luz se revelando, No que o ardor e a obra em corações nossos É existir profundo. Vem ouvir esse segredo...que fala ao coração meu. Que Amor em paz é pela paz lutar. E as estações nossas de agora são os mundos Que antes lutamos, em nós já um mundo todo, Em nós, a nos apresentar. Nas estações presentes, a árvore e o ramo de tantas vidas, Nossa seiva a vibrar, no que as oposições de nós, vençamos. Vem ouvir esse segredo...que declara o coração meu. Que Amor em paz é o que faz a paz na batalha. O mundo todo de quem com o mundo já lutou É a humanidade dos nossos corações, A compaixão que nos nossos dias de agora nunca falha. Que Amor em paz é o segredo de lutar. E as provas de agora somos nós perante o mundo, Somos nós as lutas se revelando em luz de nossos corações, A fé em nosso ardor profundo. ...vem ouvir o segredo das estações E das lutas de nós, o mundo, Vibrando de ramo em ramo a esperança, A árvore da vida, nós, em nossa herança.
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A Ação
Não, não há pressa nessa minha velocidade. Quando eu me ponho a correr aqui dentro do coração, Mesmo que em vida a explodir, É só uma brisa o que se estende ao meu passar. Sem pressa, que é pra chegar mais rápido Que eu vou assim, no andar que sou devagar, Que o meu divagar está no que dos meus sonhos é ação, E que vigorosa eu sou na corrida que ninguém vê, Mas vagarosos são os meus passos de fora, No ritmo que o mundo se encontra com o meu correr. E ainda que eu vague entre mim e o mundo, É com vigor que eu paro e me ponho a observar. É sem pressa que me ponho a andar. Mas não há pressa, eu paro sim nas fronteiras, Mas não daqui, de dentro do meu coração. Eu paro sim, mas meu parar é para movimento insinuar, É numa brisa que eu chego mais rápido. Devagar passando pelo mundo, Divagando em ritmo a ação dos sonhos meus, Ainda que nos passos pro lado de fora, A falta de vigor, aqui de dentro em nada sou vagarosa, E que no que o mundo se põe a me observar, Parada, vigorosa em mim no meu andar, Sem pressa, uma brisa eu, de explodir e de andar.
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Os Soldados
Um a um, os soldados, em seus círculos, Do uniforme um símbolo seus corações. Um a um na continuidade da marcha, Os soldados no fogo e explosão estendem em Uniformes o símbolo de seus corações. Os soldados, um a um, em seus corações são uniformes Na descontinuidade de sua marcha, A explosão, símbolo, de um a um, Do soldado, o fogo. Um a um, os soldados sonham com a guerra, Fazem seus sonhos na terra, Amam as sombras distendidas da carne, Um a um, amam os soldados o altar da guerra. Os soldados no altar de suas carnes, Sonham com a terra distendida de sombras E amam a guerra de seus corações. Um a um, os soldados em seu cansaço Consertam dramas e brincam de armas. E um a um, os soldados desarmam seus corpos E em suas guerras chegam à chama sedenta, Um a um, caem juntos os soldados No drama de seu cansaço, As armas sedentas na chama dos corações Brincam em seus corpos. Um a um, os soldados sem uniforme perdem o símbolo, Um a um, a marcha sedenta chegada ao altar do coração, Na carne desarmada, um a um, Os soldados brincam com o fogo distendido da terra, Um a um os soldados amam a explosão dos corações, Cai sobre o altar a carne, a guerra.
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Sujeito Simples, Sujeito Composto
Um sujeito simples, composto de muitas tantas vozes, verbos ocultos, desejos intransitivos, objetos diretos de figuras com linguagens desclassificadas, descategorizadas, figurativas de sentido, substantivos concretos de sua imaginação. Sujeito simples, composto ainda de determinado e indeterminado, mesmo que por vezes elíptico é constante que se verifique seu núcleo, embora de muitos tantos elementos, sempre singular. Sujeito simples, composto de nome próprio, maiúsculo e de reticências, não pontua sem inventar, complemento que dá nome aos verbos, nunca só adjunto, mas ativo de voz. Sujeito simples, composto de muitos tantos predicados, por vezes de núcleo descritivo, vezes outras de ação. Sujeito não à técnica ou ao formalismo, conhece mais variações de pretérito, ainda que honre sua conjugação do presente, está sempre com as terminações no futuro.
20
O Sangue
Eu gosto que meu coração sangre, eu gosto que ele se estenda em dor e gosto que ele se reconheça em sofrimento, eu gosto que meu coração tenha que procurar a cura dum sentimento em outro sentir de si ou no puro causar de sua ferida a cura em seu próprio movimento. Eu gosto que meu coração sangre e se faça o princípio da dor que principia a vida, que ele sangre e derrame sobre a ferida de sangue o reatar de sua alegria dividida. Eu gosto que meu coração sangre e conheça que o sangue estendido no dividir de sua alegria é a seiva que o retoma em seu tempo na promessa de que no seu reflorescer tudo se alivia. Eu gosto que meu coração sangre e na sua alegria retomada não mais em tempo se veja, no que em seu sangue refloresce a vida não mais em promessa, e que em seu sangue há de si a própria cura, que na sua própria alegria a seiva da dor em condição seja. Eu gosto que meu coração sangre, pois que, no sangue, dividida, está e sempre é...a própria vida.
20
A Desconstrução
Eu vou a chão, e que nada me sustente. É face a face não no espelho de mim, Mas no que sou sem imagem. Eu vou ao chão nas minhas construções Ora ver ruir os cuidados e as bases, E que nada me sustente nas cinzas indistintas, E que nada me decifre no caos e no queimar dos olhos: Que do pó e da lágrima, Depois que vento é do tempo ação, Há de ser água a emprestar à vida condição, Num instante do que é prestes a se fazer, O nada se figura em ponte, E eu vou ao chão, em água deitar, Não me sustento, E há de ser o fogo a vida a começar, Se espalhar eu, pela água, em meu elemento. E eu vou ao chão, sem laços de sustento na base, Lapsos da construção, amando o ruir dos espelhos: Meus reinos sem capitais. Não mais reflexo, eu sou imagem. Eu vou ao chão sem cuidados, Mesmo que indistinta nas cinzas, O caos se decifra no queimar das águas nos olhos: Na lágrima o tempo em ação que com o vento vem o depois. E dos meus olhos me fiz de vida condição e do nada um instante: Criação, eu em meu elemento. E eu vou ao chão, porque sou ponte, E no fogo a vida pela água, do começo ao se espalhar, Eu em meu sustento. Eu vou ao chão, para chão ser.
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Dizer ao Mundo Que Nada é Tão Divertido Quanto a Vida a Que te Dispões
Por que não te fazer cantar? Sobrepor em asas o tom maçante do marchar... Por que não te fazer perder? Nos trilhos que te põe a cuidar, um descuido a te guiar... Por que não te fazer tropeçar? Dançar um outro passo no teu caminho reto a te esmagar... Por que não te fazer desenhar? Mudar os traços e os quadros que compõem o teu olhar... Por que não te fazer escutar? Converter a beleza do teu silêncio em palavras que querem voar... Por que não te fazer sonhar? Rasgar a realidade em fios mais nobres a tecer o teu andar... Por que não te fazer sentir? Mover os tons que são teus ao coração do mundo... Por que não te fazer inventar? Ver nascer em tua face uma face filha de si mesma, criando um pouco de ti na face de todas as coisas... Por que não te fazer espalhar? Conhecer a tua casa em todos os lugares que teu coração abriga... Por que não te fazer cair? Deixar que um abismo próximo te seja interrompido... Por que não te fazer chorar? Enxugar da tua mágoa toda a beleza do teu coração, vê-la cair em outras alegrias... Por que não te fazer ridículo? Dizer ao mundo que nada é tão divertido quanto a vida a que te dispões... Por que não te fazer brincadeira? Subir, descer, cair, machucar, rir do choro e engolir a lágrima com um sorriso... Por que não te fazer ausência? Sem propósito além do próprio crescer, sem ponto final além do que é caminhar... Por que não te fazer presença? Qual silêncio ver tua luz brilhar, sem que digas teu nome todos a te chamar... Por que não te fazer desaparecer? Pro mundo ser ausente de valores, pra ti ser a totalidade de todas as crenças... Por que não te fazer fracassar? Livrar-te das correntes do sucesso escrito em papéis, e ver teu nome timbrado em espaços de nenhuma formalidade e toda vida...