ivygobeti

ivygobeti

Perfil
391 Visualizações

Gira a Alma Com Passos Maiores

É o que vem a desenhar o compasso
Num passo a passo dos traços nossos, agora
Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se
É o nos fazer girar esse compasso
Que de agora os passos nada de antes se classifica
É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir
Não há redores dele a passar-nos
No que é nossa forma e nosso conteúdo.
Alguns passos outros e passamos a girar
Nele, tempo nosso, escalas menores
No que d’alma atributos maiores
Os passos eu não conto no desenho
Passo os traços no agora
Venho e faço descompasso
A girar vida afora
Roda grande que fecha
Roda de dentro se abre
Passa o tempo a ser nosso
Gira a alma com passos maiores
Ler poema completo

Poemas

25

O Reino

Eu amo o reino das palavras, eu ando todos os dias pelo reino das palavras e
passeio nos anseios de antes, nos rabiscos de tempos outros, os próprios anseios
de mim.
Eu amo o mundo das palavras e o mundo pelas palavras, eu amo o que o mundo
é, no meu reino dos anseios, quando ele é de palavras.
Eu amo a grafia das almas, o tom rascunhado dos sentidos, eu amo as palavras
no mundo, e amo que elas reinem nos anseios de mim própria e de tantos outros
próprios reis de si mesmos nas palavras.
Eu amo o surgir, o formar e o retocar das letras na graça de seus sons aos
ouvidos, na coreografia de seus movimentos na folha.
Eu amo que corações possam ser escritos, amo que posso ver meu coração num
papel, na parede, amo que, no reino das palavras, meu coração pode ser
coroado em seu mundo, por seu próprio anseio de ser rei e por tantos outros
corações reis de si mesmos, no mundo das palavras.
Eu amo que eu possa ser além de mim, como tantos são além deles mesmos ao
chegarem a mim, no criar, ler, ouvir, escrever, sonhar em letras...
...e é por isso, meu amor, que pra ti guardo o silêncio, guardo no silêncio o mundo
todo que mais amo. Pois que, meu amor, o silêncio é o pai e a mãe da palavra, e
o silêncio é a morte e renovação da palavra. E cá, em mim assim, esse mundo
todo que sou em todo o meu reino, a palavra, és o silêncio, pois que, aqui, no
querer ser do meu coração, és o que a tudo traz vida, cria, padece e se renova.
Só isso, meu amor, em mim, o que precede, monta e desmonta e faz-se de novo a
própria criação minha, de mim mesma, no meu reino. Vens antes, meu amor, no
meu reino. A ti, no meu mundo, a coroa.
14

Partícula Sóbria dos Perigos Constantes

Ao perigo de ficar
Conto de como é partir
Para os perigos de buscar,
A casa é um perigo
De paredes concretas
E travesseiros sufocados.
Dos perigos eu quis
Os das asas quebradas
A partir de mim
A minha partida
Por parte vezes inteira
Por parte vezes sonhada,
Partiram-se os perigos
De lá e cá,
Minhas fronteiras
Tomando partido
Da minha obra inteira.
Nem distante
Nem errante,
Partícula sóbria
Dos perigos constantes.
É perigoso ficar e partir-se.
É perigoso partir e encontrar-se.
19

Eu faço poesia porque não sei não fazer

Eu faço poesia porque não sei não fazer
eu vivo cantando porque não sei não cantar
tudo que eu faço eu faço de qualquer jeito
porque não tenho jeito pra nada na vida estudar.
eu ando torta e caio na rua
brinco de casa e faço meu
pensar em roda de lua.
tudo de qualquer jeito
sem jeito de começar
nem final pra me apurar.
no cair do dia minha façanha é sonhar
de qualquer jeito de manhã
me ponho o que o mundo estranha a aprumar.
feito música que ninguém grava
feito propaganda que ninguém entende.
minha festa nem tem gente
meu banquete nem tem nada de comer.
meu jeito é andar pra frente.
e que outro jeito a vida há de ter?
33

Planetas Regentes

Nada vem ao meu encontro,
E todos os meus dias são de correr para encontrar,
Mas de riscos na areia não é a firmeza do que confronto,
Nada vem ao meu encontro.
Mas de areia não é tudo o que ao encontro me vem a chamar.
Se nada vem ao meu encontro,
A corrida dos dias meus na areia nada tem de suave,
E os riscos do andar vêm da firmeza do confronto,
Se nada vem ao meu encontro,
Ainda assim são duas as luzes,
O sol de incessante a se fazer espalhar,
A lua de melancolia a se fazer esperar.
Se nada vem ao meu encontro,
O mundo meu num mar que se estende de si mesmo
Na areia inconstância não empresta da lua
Sempre a descansar.
Nada vem ao encontro do meu mar,
E do sol as águas são da luz o movimento
A ser a buscar.
Nada vem ao encontro da minha luz,
Nada vem ao encontro das minhas águas,
Mas ainda são duas as luzes,
O sol de encontrar, o movimento de na areia se estender,
A lua do encontro na areia o que brilha a fixar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas a constância de caminhar,
A inconstância de esperar.
Mas que no encontro e no encontrar,
O sol é um universo todo nas águas
A sua luz a pronunciar,
A lua uma vida toda na areia o seu silêncio a pulsar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas o encontro está onde o encontrar pela luz de esperar
E pela água de andar chegará.
Nada vem ao meu encontro,
Mas no pronunciar do universo em sol a se movimentar,
Responde a pulsar a lua em seu silêncio.
Eis que, no encontro e no encontrar,
São duas as luzes,
Do sol vem em seu movimento na areia descansar,
Da lua vem em sua espera na água a se movimentar.
14

O Tempo

Todos os dias eu vejo...a minha vida inteira:
Começo e meio de tudo o que em mim é vida.
Os ciclos das eras são um dia meu em suas horas,
A herança milenar das estrelas é rotação
De cada um dos meus instantes.
E todos os dias eu vejo...a minha vida inteira,
Em suas idades arquitetadas sem tempo:
Na noite vem aurora a se apresentar,
Na aurora vem dia quente já a se movimentar,
Na tarde de se aquietar,
A noite de nascer e morrer a chamar.
Num exercício de existir, todos os dias eu vejo...
A minha existência sendo e precedendo a arte de ser,
Sendo em seu existir a arte de seguir e de prever,
Girando em sua própria roda o recomeçar de suas luzes,
Seus próprios dias.
Todos os dias eu vejo...a minha vida inteira.
Os meus dias não são dias,
Não começam, não terminam,
São recomeço de vida inteira em mim,
Os ciclos das minhas estrelas quietas me chamam
Em seu estampado em céu da minha aurora
A descansar nas horas do meu dia alto,
Porque no meu ver de vida inteira,
É na noite minha em seus e meus
Esconder e prometer de luzes
Que todas as manhãs estão em seu exercício de existir,
Eu, sendo e precedendo o meu existir,
No que tempo se retoma em tempo,
Eu em morrer e nascer de minhas próprias luzes,
Em minha roda, eu, na minha vida inteira,
Os meus próprios dias.
10

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.