ivygobeti

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Plena Fico em Cada Contradição

Suspiro de realidade
Conto-me em paixão
Plena fico
Em cada contradição.
Essa é a minha hora:
Tema sem exatidão,
Esse é o meu título:
Tempo sem previsão.
Tic-tac soam meus passos
No chão:
Donos do compasso eles são.
Tic-tac: ouço dos meus pés
A estação
Com a minha noção de tempo:
Caminho eles são.
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Poemas

25

Planetas Regentes

Nada vem ao meu encontro,
E todos os meus dias são de correr para encontrar,
Mas de riscos na areia não é a firmeza do que confronto,
Nada vem ao meu encontro.
Mas de areia não é tudo o que ao encontro me vem a chamar.
Se nada vem ao meu encontro,
A corrida dos dias meus na areia nada tem de suave,
E os riscos do andar vêm da firmeza do confronto,
Se nada vem ao meu encontro,
Ainda assim são duas as luzes,
O sol de incessante a se fazer espalhar,
A lua de melancolia a se fazer esperar.
Se nada vem ao meu encontro,
O mundo meu num mar que se estende de si mesmo
Na areia inconstância não empresta da lua
Sempre a descansar.
Nada vem ao encontro do meu mar,
E do sol as águas são da luz o movimento
A ser a buscar.
Nada vem ao encontro da minha luz,
Nada vem ao encontro das minhas águas,
Mas ainda são duas as luzes,
O sol de encontrar, o movimento de na areia se estender,
A lua do encontro na areia o que brilha a fixar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas a constância de caminhar,
A inconstância de esperar.
Mas que no encontro e no encontrar,
O sol é um universo todo nas águas
A sua luz a pronunciar,
A lua uma vida toda na areia o seu silêncio a pulsar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas o encontro está onde o encontrar pela luz de esperar
E pela água de andar chegará.
Nada vem ao meu encontro,
Mas no pronunciar do universo em sol a se movimentar,
Responde a pulsar a lua em seu silêncio.
Eis que, no encontro e no encontrar,
São duas as luzes,
Do sol vem em seu movimento na areia descansar,
Da lua vem em sua espera na água a se movimentar.
13

Engolida Por Uma Estrela

Eu vou reconstruir minha morada natural
A partir dos destroços do infortuno círculo
De substâncias falsas que tenta me encadear.
Eu vou fazer da mais nítida transparência
Da alma concebida serena
E acalmar as conturbadas águas
Dos sete mares de minha mente,
Para que a ânsia dos meus pensamentos
Possa assim não ser mera loucura.
Vou despertar os deuses para que possam
Ordenar os elementos da nossa existência
E transformar em ouro o nosso amanhã
Fazer de minha idade um dia doce.
Fazer do que parece comum e banal
A extraordinária fantasia
De chuva de luzes sublimes
Se atirando sobre nossos sonhos,
Cobrindo de um espetáculo possuidor
Da mais maravilhosa excentricidade.
Eu vou fazer os planetas se alinharem, um a um,
Apenas para que a nossa visão
Tenha o inconstante privilégio da absurda beleza
Que nasce do infinito.
Eu vou abrir os mais enferrujados portões
Dos destinos mais inesperados
Para que em nossos caminhos
Sempre estejam as inquietas estrelas
A nos iluminar diante da infindável
Sustentação mais fina que se mostra aos nossos olhos.
Eu vou fazer do desconhecido,
Um símbolo de nossas vidas,
A vida de nossos delírios.
Eu vou plantar nos jardins escondidos
De nossos espíritos
A flor de mais pura paz e de mais vívidas cores,
Que será a cura indiscutível de toda intimidação.
Eu vou me dispersar na terra de valor único
E espantar a multidão tediosa
E não convidada para meu banquete.
Celebrar as lágrimas que derramam o tempo
Nos vales da solitude amena em meu espaço.
Eu vou gritar e ouvir o som nostálgico da minha voz
Se espalhando sem rumo definido
Pelas ruas onde o vento rodeia.
Eu vou encher do sorriso mais expressivo
Da vitória mais dificilmente alcançada
Os rostos daqueles por quem,
De alguma forma, tenho amor.
Salvar a infeliz pronúncia de ódio
Cantar a música da imaginação
Na união de súplicas pela alegria.
19

Partícula Sóbria dos Perigos Constantes

Ao perigo de ficar
Conto de como é partir
Para os perigos de buscar,
A casa é um perigo
De paredes concretas
E travesseiros sufocados.
Dos perigos eu quis
Os das asas quebradas
A partir de mim
A minha partida
Por parte vezes inteira
Por parte vezes sonhada,
Partiram-se os perigos
De lá e cá,
Minhas fronteiras
Tomando partido
Da minha obra inteira.
Nem distante
Nem errante,
Partícula sóbria
Dos perigos constantes.
É perigoso ficar e partir-se.
É perigoso partir e encontrar-se.
18

Eu faço poesia porque não sei não fazer

Eu faço poesia porque não sei não fazer
eu vivo cantando porque não sei não cantar
tudo que eu faço eu faço de qualquer jeito
porque não tenho jeito pra nada na vida estudar.
eu ando torta e caio na rua
brinco de casa e faço meu
pensar em roda de lua.
tudo de qualquer jeito
sem jeito de começar
nem final pra me apurar.
no cair do dia minha façanha é sonhar
de qualquer jeito de manhã
me ponho o que o mundo estranha a aprumar.
feito música que ninguém grava
feito propaganda que ninguém entende.
minha festa nem tem gente
meu banquete nem tem nada de comer.
meu jeito é andar pra frente.
e que outro jeito a vida há de ter?
32

Ela anda em seu jardim

Ela anda em seu jardim,
O cemitério,
Da terra um dia ela fez
Nascer flor, mas terra ela colocou
Por cima, e depois mais terra
Ela fez a cobrir.
Ela anda em seu jardim,
O cemitério,
No que antes camadas via,
De camadas era feito,
No que vida jazia,
Agora jazigos imutáveis,
Ela anda sem diamantes ou minerais.
Não, não morra em vida,
Não converta em pó o rosto,
Não aceite o pálido sobre a cabeça.
É um apelo de vida essa morte,
É a vida que se vai dos corpos
Que não mais a comportam,
Aos que ainda caminham em passos
Concretos e pulsantes
Clamando ser inserida, reinserida.
Ela anda por seu jardim,
De flores esvanecidas,
Tanta vida desconfigurada,
Vida resetada, vida em marco zero.
Não morras em vida,
Não permaneça pálida,
Vidas inteiras sopraram em suas veias,
Odeie as caixas de madeiras, imensas,
Quebre a lascas uma por uma,
Destrua, desaceite, desconstrua
A morte, sua caixa de madeira,
Odeie a morte em vida.
Não morra um poema pálido.
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