NO TEOR DA IRREVELÁVEL CERTEZA

Queria me alegrar por mais um instante, mas não foi possível, logo foi sentida a sua ausência. Eram curtos os momentos em que nos encontrávamos. Queria mais uma vez estar junto, mas foi ficando cada vez mais distante, e as lembranças, estas me faziam olhar a vida através de um portal, uma espécie de passagem para aqueles que nunca mais voltam. Queria esquecer, apagar de uma vez todas as minhas visões de reencontros, às vezes parece que eu também fui, todavia estava sempre ali esperando sem perceber que a luz, aquela que me fazia brilhar se apagou para mim, que a alegria que afluía à minha volta se tornou um canto que se apegou aos meus ouvidos num suave sussurrar causando à minha alma um rebuliçar de espectro alucinante. Queria sentir o querer e o poder que não me pertenciam naquela luz, contudo me eram ofertados com generosidade e naqueles braços pude segurar durante muitos anos e me apoiar num verdadeiro ombro amigo. Ainda vejo aquele portal, agora cada vez mais perto de mim, destes mistérios não tenho conhecimento, em breve um dia irei atravessá-lo na esperança que me aguarda quando a minha luz também se apagar.
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