Silêncio
O silêncio é um tipo de lacuna entre as almas, que me remetem mais a muros. E eu que sempre fui de construir pontes, me sinto na China, em frente a muralha, enfrento o silêncio e a rua é na morada. Se namora as imagens, a paisagem e o balançar das árvores com o vento, a sobriedade que me cerca é o silêncio que perturba a alma, que vem sem acalanto. É que o nada é mais importante que a guerra, mas a paz se conquista através de batalhas, não com os outros, mas consigo. Eu consigo permanecer intacto meio ao caos do barulho, mas o silêncio... O silêncio é absurdo, fico surdo e não consigo escutar o barulho da rua, casa, lar. Pra você componho em lá. Sol, si, ré, lá... Só se relar e sangrar que cê sente a dor. O remédio daqui é placebo pros olhos, pró óbitos. Foi-se quinhentos mil e se contabilizar em amor, eles apagam o registro, fazem outro escrito só pra se contabilizar em dinheiro. Cês sabem bem como que é, dinheiro na mão é vendaval, cerveja, samba e chegou o amanhã seu Zé, acabaram com seu carnaval. Só que tá de boa, tá tudo bem o vício diário de fingir bate recorde por aí. Acho que talvez o silêncio seja armadura pra choque que se causa, o silêncio é arma dura, contra quem se ama. É que agora, quando se esbarra, quando se encontra é aquele oi, tchau! Quando se juntam, não se troca palavras, nem farpas é só o silêncio, puro e perturbador. Antes palavras duras que silêncio que mata, cortaram as matas e também atearam fogo. Dizem que é fofo o assento na primeira classe, já fui o primeiro da classe, mas é que por lá, não se fazia silêncio. O silêncio é realmente o pior dos barulhos que não se escuta.
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