SE [poema de coragem à Douglas Malloch]
LÍLIA TAVARES, in A TIMIDEZ DAS ÁRVORES (Col. Mãos de Semear- 1; Modocromia, 2020; 2ª ed, 2021)
Se não puderes ser um oceano, sê aquele rio
onde numa manhã deixei pródigo o olhar,
sê um riacho magro mas obstinado,
sê o mais amado e mais doce fio de chuva
percorrido à sombra dos álamos.
Se o teu apego está nas alturas,
rasga o teu coração com mãos de água
e dá-o a beber às aves sacudidas dos cabelos
das brisas que riem.
Agita no ar a alegria,
ousa a tua firmeza pura de arbusto.
A luz espera o impulso irrequieto
do teu perfil inteiro, do teu gesto.
Ao areal chegarão para descansar as rendas
das ondas sossegadas e nuas.
Terminada a tarefa onde deixaste o sangue,
um silêncio vem beijar-te agora os pés da caminhada.
Se não puderes ser um oceano, sê aquele rio
onde numa manhã deixei pródigo o olhar,
sê um riacho magro mas obstinado,
sê o mais amado e mais doce fio de chuva
percorrido à sombra dos álamos.
Se o teu apego está nas alturas,
rasga o teu coração com mãos de água
e dá-o a beber às aves sacudidas dos cabelos
das brisas que riem.
Agita no ar a alegria,
ousa a tua firmeza pura de arbusto.
A luz espera o impulso irrequieto
do teu perfil inteiro, do teu gesto.
Ao areal chegarão para descansar as rendas
das ondas sossegadas e nuas.
Terminada a tarefa onde deixaste o sangue,
um silêncio vem beijar-te agora os pés da caminhada.
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