Invejo as árvores

Invejo as árvores porque embora tristes 

não se queixam de nada,

nem mesmo do cansaço,

quanta força é necessária para não deitar.

 

Invejo as árvores, 

é preciso dose de coragem para ser despercebida e odiada,

não pedir para ser amada,

contentar-se em não ser.

 

Invejo as árvores,

especialmente as mortas,

quanta honra há em estar morto e não sentir,

ter havido e jazido com apenas a terra,

o sol e a chuva por seus amigos.

De que não é capaz a solidão!

 

Robson Vieira

 

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