CALMARIA (1974)
Há qualquer coisa de calmo nessas folhas
será paz, distância ou apatia
-é a noite que cai...
há cores no céu, vermelho plácido
há árvores tombadas e livremente selvagens
do vento que soprou...
é a pequena morte de um dia de trabalho,
o silêncio é mais duro
e as folhas são ainda mais calmas...
há amor nas pedras, e nisso há já um pouco de ódio
há beleza no ar, e nisso há já um pouco de fealdade
mas a Natureza parece imutável...
nela há qualquer coisa de calmo, e nisso há já agitação
ao longe há montanhas e céu como aqui
de longe vem a agitação indecisa
que me torna humano
e me faz contemplar a calmaria da terra...
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