Linhas de um diário qualquer
Hoje eu recebi uma mensagem tua. Toda vez que seu nome aparece como remetente, meu coração oscila. Toda vez que te quero como destinatário, minha mente hesita. Não vou mentir para as linhas do meu diário, penso sempre em ser alvo da tua atenção. Penso sobre o timbre da tua voz e nos teus maneirismos. Acho engraçado o seu linguajar cheio de vícios. Repito todos sem perceber e acho graça de mim mesma quando impeço-me de corrigi-los. Não há um só cenário em que uma conversa nossa não me cause arritmia. Por isso, preciso dizer-te que meu coração já é meio calejado. Meu cardiologista não é seu maior fã. Explicou-me que tomar desse meio-amor inventado é altamente desaconselhável. Minha cabeça já convive com um punhado de fracassos. Minha terapeuta observa com cuidado. Sei que, no geral, sou muito chata e não faço questão de esconder. Mas sem frase pronta, lugar comum ou clichê: quando estou perto de você, esforço-me para não ser desagradável. Fato é que eu te tolero mais do que qualquer um. Mais do que a mim mesma. Talvez chegue o dia em que vou transformar tudo isso em poema. Até lá, finjo que te quero tanto como quero qualquer um, sem declaração ou dilema.
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