Fait accompli

Consumou-se a noite num carrasco silêncio redundante e supérfluo
Tão melífluo quanto aquele breu perdido no cardápio do tempo dulcífluo
Tão pérfido quanto um lamento permutado por angustiantes uivos impudicos
Consumado o tempo alimentou as entranhas desta solidão imensa e indulgente
Amamentou e engravidou cada palavra abarrotada de sussurros reprimidos e urgentes
Escorregou entre muitas ladainhas de mil serenas gargalhadas quase, quase dissidentes
Consumou-se cada segundo que além jaz atrelado a um transeunte silêncio estridente
Pousa no cenário de tantos azuis celestiais, onde se tatua cada prece felina e paciente
Onde cada hora hemorrágica se esvai no mais dissoluto e indolente eco tão, tão renitente
Frederico de Castro
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