O AMOR É COISA PARA SE PERPETUAR NA ALMA

Se eu te pedisse 
para me resgatares às malhas da insónia
saberias encontrar-me na apatia da noite?

Penso que nem notarias
o desalento das horas mortas
em que o sol nos castiga e se esconde,
negando-se a corar-te as faces.

É mais seguro pensar-te sempre a meu favor
como as rosas brancas que nunca destoam
ou a brisa que refresca a planície sem derrubar os girassóis. 

Prefiro acreditar
que se te rasgasse as paredes do peito
e te arrancasse o coração,
tu continuarias a amar-me
porque o amor é coisa 
para se perpetuar na alma
e não na carne regressada ao pó.

Se eu te pedisse 
para leres este poema
saberias decifrar os meus recados?







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