A pressa faz embaçar a morbidez da cidade

sem espaço para contemplar meros cadáveres

catálogo vivo ilustrando a natureza necrótica

manequins vitrines sociais máquinas semiautomáticas

simulacros dopaminados por silícios alucinógenos

regras e códigos mudos para tornar-se imune 

orar e fingir bitolar-se do bestial folclore 

e toda suja matéria abaixo do céu encardido

que se esparrama nas graças de lágrimas ácidas

terminando assim por marejar suas crias

toda uma fauna distópica de cabeças imitação

lambidas pelo vento que já fora perfume 

(agora hálito) de seus deuses terminais

 

2022
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