Um arroio ferido d’água
aquele salvar da garganta
que mal inflamada cospe
marimbondos torpedos
só por raiva hoje cala-te
a palpitação a excrescência
do ressentimento moeda de troca
desses ferimentos sem pudores
falar outras vozes outros agudos
lavrar o incontornável luzir azul
num tamanho oceânico
a mais extensa simetria
da alegria sem enganos
de risos livres de restos
sem o sangue ruminado
na língua das palavras
que golpeiam ilusão
2023
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