Não deveríamos morrer tanto assim

de medo de raiva de vergonha

não se deveria sequer sentir

abertamente o doer do tempo

que toma o corpo em acidez

estocada do ponteiro na carne

duração da realidade

 

não é certo perdermos de cara

a razão como a antimatéria 

do sangue vivo jorrado

trocado por envelheceres

quão errado leiloar os joelhos

a promessas ou sucumbências

pelas mãos que já foram abrigos 

agora muros de coração

 

2021

Poema do livro Gravitacionais 2023



 

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