Sino que chove

Dissolvo-me na noite 

E na bruma perene

Choram almas e rostos ausentes

Como um sino que chove

 

A morte é logo ali

Por detrás da lágrima errante

E do grito submerso

 

Sinto-me estranho

Nesta forma ausente

De querer estar 

Onde não há gente

 

Só o branco da tua boca

Me afaga o rosto

Quando de negro a minha alma 

Se veste

 

Do rio que passa,

Uma flecha de sangue

Trespassa a solidão

E o olhar insone

De um torso que dorme,

Não de sono,

Mas porque ter escrito

A própria morte
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