Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

100

Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Sem Rosto

Era uma vez um sorriso sem rosto
De olhar assustado
Atrás de uma máscara
Triste e calado
São os tempos do contratempo
Que nos tiraram o tempo
Num mundo desumanizado
Estranho,
Preso no seu tempo
Ausente no pensamento
Desconfiado,
Que olha para dentro,
Deixando o abraço em confinamento
Os dias ao acaso,
E a morte sem lamento
 
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Luas

Há tantas luas
Que não me sorrias
Que as rugas te tornaram bela e eterna
Nestes meus
teus olhos idosos
Que não te perderam a idade
Nem a forma
Nem o gosto
Nem a chuva que nos calava
Nem a chama que nos perdurava
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Orgulho

Estás perdoada
Se é o não que temes
Sempre aqui estive
Desde que a Primavera era flôr
Não sei quantos mais Invernos irei estar
Talvez enquanto o teu abraço ainda tiver cheiro
Do teu pedestal feneces calada
Afogaste o amor e osculaste o orgulho
De olhos vendados 
Abraças-me em sonhos
De olhos calados
Sonegas-me o corpo
E tudo para seres forte
Aos olhos de muita gente
Quando tens carne e sangue que sente
Na dor maior
Quando ao coração se mente
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Coração empedernido

Quando a lágrima
se substitui ao verbo
e o verbo jaz
em coração empedernido
não há intento onírico
que afague a montanha
nem nuvem
que beije a encosta
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Aguaceiro

Não fosse o tempo
Abrigar-se
Em aguaceiro destemido
Nunca a prosa
Me choveria nos tristes
Dedos,
Nem o céu teria
A cor
Do que sinto
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A nossa pele

Toco-te a medo

Pelo olhar

A pele que nos une

Para que nesse interlúdio

O silêncio nos seja memória

 

 

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Arrepio

Beijo-te

A tua insana

Minha boca

Alvorada meia lua

Ao arrepio

Sentes-te louca

Mordes o cio

E a nudez

Das nossas bocas

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Palavras soltas

Um beijo que sabe a tudo
Dito pelas nossas bocas
Falado pelo olhar
Sentido nas palavras soltas
O teu corpo é prosa
Escrevo-o na sede do momento
Rimas em silêncio ditas ao acaso
Num respirar cego
Poetamos naquele bocejo de alvorada
Como se o mundo fosses tu
E não houvesse mais nada
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Poema sem nome

Ontem escrevi um poema

Não tinha nome

Não tinha mote

Tinha sentimentos

E falava de morte

Do meu nascer

Antes de te conhecer

 

Ontem escrevi um poema

Falava de dor

Que não tinha

Falava de amor

Quando não te tinha

 

Hoje escrevo este poema

Não por te ter

Porque no olhar já nos temos

Escrevo por escrever

À espera de um dia

Te ver amanhecer

 

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