Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

10

Orgulho

Estás perdoada
Se é o não que temes
Sempre aqui estive
Desde que a Primavera era flôr
Não sei quantos mais Invernos irei estar
Talvez enquanto o teu abraço ainda tiver cheiro
Do teu pedestal feneces calada
Afogaste o amor e osculaste o orgulho
De olhos vendados 
Abraças-me em sonhos
De olhos calados
Sonegas-me o corpo
E tudo para seres forte
Aos olhos de muita gente
Quando tens carne e sangue que sente
Na dor maior
Quando ao coração se mente
846

Poema sem nome

O meu corpo jaz no teu passado
é desse frio que me alimento
e por ter morrido nas pérfidas
juras de amor
é que eu me lamento 
São roxos, 
os lábios que te escrevem,
agora mudos,
porque não te merecem
gritam dálias
numa palavra oca,
porque à cova, 
descem surdos, os poemas
na tua boca
356

Prados

Sempre que te vejo
há uma pedra em lava
que me trilha incandescente
a memória doce do teu sorriso
e de um beijo por te dar
sempre que te vejo
ardem prados verdejantes
que as saudades não querem apagar
 
361

Coração empedernido

Quando a lágrima
se substitui ao verbo
e o verbo jaz
em coração empedernido
não há intento onírico
que afague a montanha
nem nuvem
que beije a encosta
900

Floresta

é na floresta
que habito o mundo
onde o sonho se agiganta
e o trevo se adensa
646

Mar e Tempo

Não sei que céu ou lua me habita
Ou de que estrofe sou feito
Se fui escrito no ocaso
Ou no barlavento
Quiçá mar e tempo
Entre antítese e aforismo
Sou vento
Se grito ou lamento
Somente no poema
Encontro alento
388

Rosas

Não tinhas nome
quando as rosas nasceram
rosa, já tu eras
quando no céu pus a tua estrela
e te segurei a mão
354

Abraços

Há poemas que nos escrevem a vida
E palavras que nos rasgam os poemas
Há dor que não cabe no poema
Quando as lágrimas nos escorrem dentro
Há desilusões que nos beijam
Quando o amor nos foge
Há abraços que desatam
Quando no sonho
Não atam
570

Procuro-te...

Por onde andas, amor

Que te perdi a voz

Polímnia do meu encanto

Traço breve,

Mão que te debrua o rosto


372

Idade do beijo

Abraça as tuas primaveras

Escuta a idade do beijo

E das borboletas que nos habitavam

Existo no poema

Para que te olhe os anos

E em cada aniversário

Te sinta

As manhãs de Dezembro

E a aurora de uma vida inteira
477

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