Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

8

Ao cair da folha

Sempre que a folha cai

Sorri uma flor

O sono das árvores

Devolve aos dias

O que sobra às noites
212

Sino que chove

Dissolvo-me na noite 

E na bruma perene

Choram almas e rostos ausentes

Como um sino que chove

 

A morte é logo ali

Por detrás da lágrima errante

E do grito submerso

 

Sinto-me estranho

Nesta forma ausente

De querer estar 

Onde não há gente

 

Só o branco da tua boca

Me afaga o rosto

Quando de negro a minha alma 

Se veste

 

Do rio que passa,

Uma flecha de sangue

Trespassa a solidão

E o olhar insone

De um torso que dorme,

Não de sono,

Mas porque ter escrito

A própria morte
225

Filosofia do amor

Não sei se o amor será a espiritualização

Da sensualidade em Nietzsche

ou uma ave a tremer nas mãos de uma criança

para Eugénio de Andrade

Amor pode ser um acto involuntário de poesia

Resgatado de uma emoção

Amor poderá ainda ser quando a paz se instala

Sem que os dias acabem

Amor é, por certo, onde precisamos chegar

Num qualquer canto da vida

Para que o encanto dela

Se possa alcançar
226

Mar Revolto

Como só tu soubesses

Como as naus nómadas te aportam

Não há mar revolto que temas

Que não te caiba

Numa tela qualquer
189

Em ti

Do teu rosto

Sobra-me um momento a sós

E nesse instante

Percorro-te uma vida

Tacteando o passado

Decalcado no teu corpo

Em ti,

Jamais esquecerei onde se abrigam os tesouros

E para onde confluem as marés

Do teu rosto

Cai-me uma pedra de sal

Da qual

Bebo sôfrego o teu mar
192

Terra molhada

Saudade da terra molhada

E dos dedos em flor

Das madrugas insones

E do nosso amor

223

Timidez

Quero habitar o teu olhar

Para que o sono me seja leve

Quero a timidez

Para que os olhos se beijem

Quero a tua mão

Para que o poema se escreva

Quero o teu coração

Para que a vida nos sonhe
158

Como se faz a lua

 

Se souberes como se faz a lua

Deixa-a brilhar sobre o rio

Ouve a música dos peixes

E das estrelas adormecidas
206

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