Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

100

Olhar que cura

Metade do teu olhar

É quanto me basta

Para que o dia

Me doa menos

E a noite

Me seja clara

 

11

Alquimia do Silêncio

Há mãos que se dão

porque na memória ficaram

Há mãos que esperam

Que se olhem no toque

Há conexões que se formam

Porque no olhar se tocaram

Há palavras que não se escrevem

Porque já foram lidas

Há vidas que se tocam

Porque as almas

já se uniram

19

Abraço

Não sei o que o mar sente

Quando a lua se ausenta

Não sei de cor é o céu

Quando habita a tormenta

Sei que a noite pesa

Para além da idade

Sei que o silêncio

Se gosta para além dos dias

Sei que o amor se basta

Num singelo e sincero

abraço

104

Tormenta

Dias a fio

Escuto a voz incessante

Deste rio

Assombro molhado

No chão cansado

Olho descalço

O vento irado

As noites frias

Do inverno demorado

Onde incerto, abrigo

Sobrevivo acordado

 

103

Manhãs de Outono

Nada se compara ao espreguiçar 

Das manhãs de Outono

Ao murmúrio das aves sonantes

À poesia das folhas dormentes

E ao romper dourado 

Da aurora crescente

137

Na meia - idade

Na meia-idade

Despem-se as cores do tempo

Ouvem-se os tons da natureza

Promovem-se as pausas

Agigantam-se os silêncios

O futuro habita no presente

Torna o passado refúgio

Regressa-se ao interior

Num caminho já feito

Que se sabe seguro

Consolidado

Longe das amuradas

E das tormentas

Na meia-idade

Voamos mais alto

Ganha-se outra perspectiva

Não há deslumbre

Nem mágoa que se padeça

Olha-se de cima o futuro

Sem bater asa

Retiramo-nos em silêncio

Para que na morte

A vida aconteça

128

Lua pela vida

Como só tu soubesses

Onde escondo o pôr-do-sol

E a lua pela vida

É como se a noite

Me emprestasse o saber

Entre o verso e a alvorada

O desejo e a eternidade

162

Teu abraço devoluto

É rasgo

É tudo

É momento

Teu abraço devoluto

É nuvem incerta

Que seduz o vento

Dilúvio enfermo

Céu que flameja

Deixa a descoberto

As entranhas do tempo

191

Há um caminho

O poema desobedece

Sempre que o corpo adoece

E se torna refém da vida

Há um caminho

Percorrer nas letras

O que falta aos dias

E deixar por legado

O que na memória

Adormece

168

Olhares marcantes

Gosto das palavras com sentimentos

Emoções com gestos

Gosto da chuva sem vento

E das conversas sem tempo

Gosto dos invernos à meia-luz

E dos abraços que não se pedem

Gosto de olhares marcantes

Quando os nossos corpos se perdem

Gosto dos dias a acabar

E da noite por dizer

Gosto de amar

E do por do sol

Junto ao mar

127

Livros

1

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