Lista de Poemas
Primavera
Após tantos invernos sofridos
Só agora percebo que a primavera eras tu
E o sonho era meu
236
Poesia nos teus cabelos
Hoje vi-te naquela amurada de prata
Eras céu de Janeiro
Já lá vai tanto tempo que fomos mar e céu
Estavas linda naquela manhã de Inverno
O teu andar voava elegante
Perante a nudez dos meus olhos
Como se não tivesses chão
Nem porto onde me ancorar
Eras poesia nos teus cabelos
Que de vento eram feitos
Os sonhos não cabiam em nós
Nem neste mundo
Amei-te sem saberes
Que a lua também chora à noite
240
Manhã de Verão
Eras manhã,
De um verão qualquer
Ainda a madrugada preguiçava
Quando o beijo nos demorou
Como se fosse o prelúdio
De um romance inacabado
255
Choro-te
Choro-te
Sem que percebas que definhei
Naquela sombra lânguida
Que morreu para lá dos ciprestes,
Oca,
Sem o teu sussurro ter
Sem que percebas que definhei
Naquela sombra lânguida
Que morreu para lá dos ciprestes,
Oca,
Sem o teu sussurro ter
178
Neblina
Há palavras que desiludem
e olhares que seduzem
tal como a neblina
calada
esconde na voz
o que sobra à noite
e olhares que seduzem
tal como a neblina
calada
esconde na voz
o que sobra à noite
192
Ao cair da folha
Sempre que a folha cai
Sorri uma flor
O sono das árvores
Devolve aos dias
O que sobra às noites
Sorri uma flor
O sono das árvores
Devolve aos dias
O que sobra às noites
201
Sino que chove
Dissolvo-me na noite
E na bruma perene
Choram almas e rostos ausentes
Como um sino que chove
A morte é logo ali
Por detrás da lágrima errante
E do grito submerso
Sinto-me estranho
Nesta forma ausente
De querer estar
Onde não há gente
Só o branco da tua boca
Me afaga o rosto
Quando de negro a minha alma
Se veste
Do rio que passa,
Uma flecha de sangue
Trespassa a solidão
E o olhar insone
De um torso que dorme,
Não de sono,
Mas porque ter escrito
A própria morte
E na bruma perene
Choram almas e rostos ausentes
Como um sino que chove
A morte é logo ali
Por detrás da lágrima errante
E do grito submerso
Sinto-me estranho
Nesta forma ausente
De querer estar
Onde não há gente
Só o branco da tua boca
Me afaga o rosto
Quando de negro a minha alma
Se veste
Do rio que passa,
Uma flecha de sangue
Trespassa a solidão
E o olhar insone
De um torso que dorme,
Não de sono,
Mas porque ter escrito
A própria morte
212
Filosofia do amor
Não sei se o amor será a espiritualização
Da sensualidade em Nietzsche
ou uma ave a tremer nas mãos de uma criança
para Eugénio de Andrade
Amor pode ser um acto involuntário de poesia
Resgatado de uma emoção
Amor poderá ainda ser quando a paz se instala
Sem que os dias acabem
Amor é, por certo, onde precisamos chegar
Num qualquer canto da vida
Para que o encanto dela
Se possa alcançar
Da sensualidade em Nietzsche
ou uma ave a tremer nas mãos de uma criança
para Eugénio de Andrade
Amor pode ser um acto involuntário de poesia
Resgatado de uma emoção
Amor poderá ainda ser quando a paz se instala
Sem que os dias acabem
Amor é, por certo, onde precisamos chegar
Num qualquer canto da vida
Para que o encanto dela
Se possa alcançar
216
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments