SER. SERTÃO, SERTÕES.
Moribundo, o boi não vê mais pasto
nem pasto há que se possa ver
além do verde das cactáceas
na sua xerófila prece.
Fulva inclemência ergue-se postada
sobre o muro da canícula
e recobre de pó a sombra do xique-xique
sob o melodiado atavio do anum-branco.
Velho e pálido levante anoitece
enquanto luar em agouro de coruja
se debruça sobre a costela do horizonte
trazendo dos seus ninhos morcegos e noitibós.
A voz humana pranteia sombras
e reverbera nos limites do cerrado
aboiando medos na diáspora das estrelas
rastreadas até o signo de Touro.
Assuntando nos seus pagos
o sertão se faz sertões e se desgarra
na lamparina que se apaga
e se consome nas garatujas de dezembro.
Olinda, 05/10/2023.
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