SER. SERTÃO, SERTÕES.



Moribundo, o boi não vê mais pasto
nem pasto há que se possa ver
além do verde das cactáceas
na sua xerófila prece.

 
Fulva inclemência ergue-se postada
sobre o muro da canícula
e recobre de pó a sombra do xique-xique
sob o melodiado atavio do anum-branco.

 
Velho e pálido levante anoitece 
enquanto luar em agouro de coruja
se debruça sobre a costela do horizonte
trazendo dos seus ninhos morcegos e noitibós.

 
A voz humana pranteia sombras
e reverbera nos limites do cerrado
aboiando medos na diáspora das estrelas
rastreadas até o signo de Touro.

 
Assuntando nos seus pagos 
o sertão se faz sertões e se desgarra
na lamparina que se apaga
e se consome nas garatujas de dezembro.

 

Olinda, 05/10/2023.
221 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.