Biblioteca do tempo

Ao colo da noite nutri a escuridão boquiaberta e voraz
Acorrentei cada breu divagando, divagando felino e sequioso
Andrajei a alma com farrapos de um lamento quase insidioso
Pela face dos céus escorre uma lágrima agourenta e auspiciosa
Despedaça-se no desfiladeiro das palavras carentes serenas e maviosas
Assim se faz o abecedário poético das carícias ardentes, famintas e grandiosas
Na surrealidade dos desejos temporãos algema-se uma prece tão ansiosa
Na biblioteca do tempo resgatam-se todas as horas deslumbrantes e contenciosas
Ali jaz um esfaimado e suculento silêncio perdido na lividez da noite senil e cerimoniosa
Frederico de Castro
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