🔵 Última chamada
A figura ameaçadora, que aparecia revelando a temerária sombra, vinha atravessando a rua, com os dentes trincados e os olhos esbugalhados (saltando para fora das órbitas). De repente, quando eu já estava calculando a rota de fuga, reconheci o cara esquálido que implorava por algumas moedas para ir a Santo André. Nesse momento, eu já havia decifrado a metáfora que significava a cidade da região metropolitana de São Paulo.
O que começou como medo, terminou como dó. Para mim, bastavam alguns minutos para me livrar do indivíduo artificialmente eufórico; enquanto ele, tudo levava a crer, teria muita dificuldade para eliminar “Santo André” de seu roteiro.
Outra noite, já era tarde, novamente vinha o sujeito que, tentei adivinhar, precisava embarcar urgentemente para Santo André, na Grande São Paulo. O “noia” do bairro insistia na mentira, enquanto eu, já tratando ele pelo apelido, tentava me livrar do financiamento daquele abismo pessoal. Sempre conseguia me esquivar, mas percebi que aquilo não teria fim.
Novamente, lá vinha ele! Como quem respeitava uma pontualidade britânica ou via um “start” esperançoso com o meu surgimento, ele atravessava a rua a fim de cobrar o imposto do pecado. Sem saber, eu fui envolvido num roteiro macabro, o qual eu nunca soube o começo, mas era fácil advinhar o final.
Em todo lugar deve ser assim: no Rio de Janeiro pode ter alguém precisando ir a Nova Iguaçu, em Belo Horizonte é capaz que exista um sujeito desesperado por uns trocados para partir a Contagem. No entanto, a viagem é no sentido figurado e, diferentemente da conversa, não literal.
Xiii... chegou o momento de enfrentar o passageiro noturno. Sexta-feira prometia um movimento frenético de ônibus na cidade. Naquele fim de semana, o terminal rodoviário da agonia seria pequeno para abrigar tantos “viajantes”.
Entretanto, fazia tempo que o “noia” não surgia desesperado para recolher o seu pedágio da madrugada. A conclusão óbvia era que ele foi para o lugar que estava frequentando e nunca mais voltou.
O que começou como medo, terminou como dó. Para mim, bastavam alguns minutos para me livrar do indivíduo artificialmente eufórico; enquanto ele, tudo levava a crer, teria muita dificuldade para eliminar “Santo André” de seu roteiro.
Outra noite, já era tarde, novamente vinha o sujeito que, tentei adivinhar, precisava embarcar urgentemente para Santo André, na Grande São Paulo. O “noia” do bairro insistia na mentira, enquanto eu, já tratando ele pelo apelido, tentava me livrar do financiamento daquele abismo pessoal. Sempre conseguia me esquivar, mas percebi que aquilo não teria fim.
Novamente, lá vinha ele! Como quem respeitava uma pontualidade britânica ou via um “start” esperançoso com o meu surgimento, ele atravessava a rua a fim de cobrar o imposto do pecado. Sem saber, eu fui envolvido num roteiro macabro, o qual eu nunca soube o começo, mas era fácil advinhar o final.
Em todo lugar deve ser assim: no Rio de Janeiro pode ter alguém precisando ir a Nova Iguaçu, em Belo Horizonte é capaz que exista um sujeito desesperado por uns trocados para partir a Contagem. No entanto, a viagem é no sentido figurado e, diferentemente da conversa, não literal.
Xiii... chegou o momento de enfrentar o passageiro noturno. Sexta-feira prometia um movimento frenético de ônibus na cidade. Naquele fim de semana, o terminal rodoviário da agonia seria pequeno para abrigar tantos “viajantes”.
Entretanto, fazia tempo que o “noia” não surgia desesperado para recolher o seu pedágio da madrugada. A conclusão óbvia era que ele foi para o lugar que estava frequentando e nunca mais voltou.
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