🔵 Motorista, motorista, olha a pista...
Foi estranho ouvir o “zum-zum-zum” de que haveria uma excursão no 3º grau. O passeio me remetia ao primário e ginásio, quando o deslocamento significava uma alforria infantil. Playcenter, zoológico, Bienal do Livro (Ibirapuera), Programa do Bozo (SBT), Teatro Brigadeiro e Teatro Nelson Rodrigues: era comum agir no ônibus como se aquele bando de pirralhos estivesse disputando uma corrida e não temesse a morte.
Contudo, o aviso de que iríamos conhecer a Editora Abril era bem instigante, e eu interrompi aquele hiato, de excursões, do colegial. No ônibus, as conversas por afinidade substituíram as canções desafiando o motorista.
Chegamos ao prédio histórico da Marginal Tietê. Externamente, a movimentação noturna dos funcionários e caminhões só aumentava o mistério, lembrando contrabandistas de filme, ou seja, escondendo algo. Seguindo a visita, como uma visita monitorada, percorremos a área externa, corredores e pátios. No parque fabril, as rotativas da revista Veja brilharam nos olhos de uns, e decepcionaram os que esperavam encontrar jornalistas e uma equipe criativa na Redação.
Tudo era tristemente diferente das redações enfumaçadas, barulhentas e frenéticas que esperávamos encontrar naquelas salas. A expectativa foi construída devido ao vasto “portfólio” que a ‘Abril’ distribuía nas “falecidas” ou “moribundas” bancas de jornal.
Conhecer o parque gráfico da Editora Abril resolveu um mistério pessoal. Quando eu voltava das viagens ao interior de São Paulo, via aquele edifício misterioso da Marginal. Além disso, ostentava, cravado no topo, a logomarca emblemática.
Atualmente, a Editora Abril ocupa um prédio mais moderno na Lapa; o antigo endereço sepultou o antigo Jornalismo, aquele da máquina de escrever e da fumaça de cigarro. Enfim, a mudança do local de trabalho representa o abandono do Jornalismo “raiz. Parece saudosismo barato, mas é apenas constatação de quando as publicações relatavam os fatos e não tentavam transformar a sociedade, funcionando como assessoras de imprensa do governo e adaptando a realidade conforme as conveniências.
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