O vale próximo ao rio
toda aquela vida que passou junto à soleira
da porta da sala, esteve às vistas das paredes
e dos quadros postos lado a lado
o vento arrasta a poeira aos cantos da sala
e do quarto para ali perder-se da memória
e desgarrar-se do tempo vindouro.
sobre os móveis ainda restam marcas de mãos
e pingos de perfume que pairavam nas noites
longas e pousavam neles formando seus entalhes
as cortinas rasgadas ficaram abertas, expondo
vidros partidos que não querem se quebrar
e deitar no chão ferido dos passos das sombras
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