O Fantoche
O fantoche que vive em mim desapontado,
Numa casa de bonecos acorrentados,
Escondidos num sótão mal iluminado,
Cansados de fingir serem afortunados.
O fantoche que um dia ousou sonhar,
Ser um ser tão real como um menino,
Ingénuo e imaturo no seu brincar,
Julgado pelo seu representar genuíno.
O fantoche que desbotou amarrotado,
Cheio de enfado sorriu pela última vez,
Foi posto à parte em repouso abandonado,
Ficou indefeso, exilado na sua invalidez.
O fantoche desterrado nas memórias,
Cheias de sons e músicas lamentosas,
Que ecoavam no vazio das solitárias,
Em que as noites vingaram majestosas.
Lisboa, 21-9-2013
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*