Fui entrando...

Fui entrando devagarinho, sozinho e de mansinho
Sem espalhafatos seduzi cada desejo com tanto carinho
Assim amadureceu o tempo algemado a tantos segundos mesquinhos
Fui entrando pelos pórticos da solidão tão esquecida…quase abominada
Deixei subir aos céus os mais maviosos murmúrios candentes e arrepiados
E para lá de cada hora vislumbrei uma toada gigantesca de silêncios tão desafinados
Fui entrando suavemente pela derme de todas as caricias mágicas, etéreas e enamoradas
Nos labirínticos olhares algemei a manhã que sorria renascida, faminta e despreocupada
Ali tão distante distam as minhas preces furtivas, adormecidas entre os tentáculos da luz obsidiada
Frederico de Castro
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