🔴 Cenas do próximo capítulo
Várias novelas receberam títulos com a palavra “Brasil” (e suas variações) como metáfora para o roteiro do País. Não é à toa, diariamente, diretamente na política, bem como na periferia do poder, o desenvolvimento (no sentido de dramaturgia) segue uma realidade fantástica, como se fosse escrito por Dias Gomes.
A série “House of Cards” já mereceu comparações com os acontecimentos de Brasília. No entanto, como é absurdo, o que ocorre na capital federal desafia a criatividade dos roteiristas cinematográficos.
Parecia que apenas eu não assistia ao último episódio de ‘Avenida Brasil’. Entretanto, basta acompanhar algum noticiário para saber como desenrolam tramas, traições, brigas, poder, fama, cargos, finanças etc.
A minha desprezível curiosidade de me manter “informado” das intrigas, melindres e dramas pessoais, também é saciada nos blocos políticos dos telejornais. Parte do jornalismo se presta a ser uma espécie de “TV Fama”, considerando as trivialidades que refletem nas decisões do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Nos livros de História, os grandes acontecimentos são retratados com cenas épicas e espadas apontando para o céu. Mas, na prática, as principais decisões são tomadas baseadas em fatos corriqueiros de cama, mesa e banho.
Contrariando as páginas dos livros didáticos, um amor serviu como fator que culminou na Proclamação da República; isso me leva a desconfiar que o “impeachment” do Collor, que ganhou impulso com a delação do seu irmão, daqui a uns 100 anos, será abordado como algo heroico e disruptivo como a Queda da Bastilha.
O noticiário atual está num capítulo que joga em “praça pública” uma briga de casal. Mas fazer o quê, se a picuinha está escondida entre as cotações da bolsa de valores e o PL (Projeto de Lei) na Câmara. Resultado, sem acompanhar programas de fofoca, eu fico inteirado de assuntos domésticos e da delegacia da mulher.
Os assuntos políticos têm começo, têm meio, mas não têm fim.
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