um poema eu rabisco
na gruta desconhecida
com meu sangue cíclico
as faces da minha linhagem
em figuras rupestres

o sangue seca na imagem
sem profundidade
então me vou nua
pele de bicho
em noite de lua
pela floresta escura

um arbusto concede-me
um chifre caduco
então me vou co'a nudez
herbacicamente óssea
de quem não pausa morosa
nunca desiste

ao longe alcanço o topo da colina
há um espelho d'água
em seu negrume infinito
sem retorno ao abismo
toca-me a nueza perdida
na imensidão do arvoredo
líquido
(kátia surreal: 03/10/2026)


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