Fabricando uma lágrima
Fabriquei uma lágrima com réstias de um aguaceiro
Quase majestoso, temperamental e tão sumptuoso
Fez-se escravo do tempo que além fenece mui faustoso
Fabriquei das lágrimas o lagar das preces mais declamatórias
Flertei cada rima algemada às minhas solidões tão probatórias
Desenhei e colori todas as matizes de uma ilusão mágica e propiciatória
Nos céus vejam como galopa a manhã debruada de azuis tão conciliatórios
Vejam e ouçam o bailado felino da vida sulcar a face de uma lágrima rogatória
Sintam como cada neurónio se conecta e mimetiza tantos cruciais ecos atónitos
Frederico de Castro
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