CONVERSA COM O RIO GUADIANA

Voz do Poeta: 

Ó rio antigo, de águas serenas e histórias contadas, 

Que segredos guardas nas tuas profundezas veladas? 

Teus murmúrios sussurram lendas de tempos passados, 

E nas tuas margens, amores e lutas foram traçados


Voz do Rio Guadiana: 

Sou o Guadiana, viajante do tempo e do espaço, 

Minhas águas já viram o riso e o pranto no mesmo compasso. 

Corro livre entre vales e planícies, sem cessar, 

Levo comigo memórias que nunca se vão apagar.

 

Voz do Poeta: 

Conta-me, ó rio, das aldeias que banhaste, 

Dos campos férteis que tu alimentaste. 

Vistes a primavera florescer em campos de ouro, 

E nas tuas margens, a vida a emergir como um tesouro?

 

Voz do Rio Guadiana: 

Vi a luz da manhã refletida em meus braços, 

Acolhi pescadores em barcos de abraços. 

Crianças brincando nas minhas margens douradas, 

E os segredos dos amantes, nas noites estreladas.

 

Voz do Poeta: 

E quanto ao futuro, o que vês adiante? 

O que esperas das cidades, dos povos, dos amantes? 

Tu que és eterno, que passas mas nunca partes, 

Que vês na linha do horizonte, nos corações e nas artes?

 

Voz do Rio Guadiana: 

Vejo o fluxo contínuo da vida, sem parar, 

Espero que meus filhos me continuem a amar. 

Que respeitem meu curso, meu espírito ancestral, 

E preservem minha pureza, meu caminho natural.

 

Voz do Poeta: 

Ó Guadiana, és testemunha e guardião, 

Do passado, do presente, da terra e da canção. 

Em teu diálogo eterno, de águas sem fim, 

Encontro a poesia que reside em mim.

 

Voz do Rio Guadiana: 

Poeta, continua a cantar minha jornada, 

Pois na tua voz, minha essência é celebrada. 

Que teu verso flua livre, como minhas águas no chão, 

E juntos, seremos eternos na canção.


Maria Antonieta Matos  - 08-05-2024

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