Desculpa meu amor
Fogem-me as palavrasque usaria nesta folha para te
falar de amor. Talvez,no fundo, as palavras nunca tenham
existido, talvez nãopassem de invenções delicadas que o
amor nos oferece a cadaintervalo de silêncio – desculpa
meu amor não ternascido com o dom de tecer as palavras certas
para construir poemasque te enobreçam a alma,
ou que te aliviem ocansaço dos olhos, pois isso, já outros o fizeram;
os poetas abandonados àleveza das penas que trouxeram ao papel
todas as dores do mundoe mais as nossas. Desculpa meu amor,
mas as palavras teimamem debandar-se e não sei se voltarão depois,
suspeito que o amor nãose escreva hoje como outros o escreveram, e,
por assim ser, ogastaram como gastamos nós todas as páginas em branco
que teimosamentedesejamos escritas.
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