Laissez-faire

A minha aldeia sempre teve dono.

Mas hoje está de tirar o sono.

Deixe fazer, deixe fazer, deixe fazer…

Fizeram pedra virar urina.

Vendem veneno por vitamina.

O fim é metamorfoseado em um meio.

Fizeram uma mãe que não tem seio.

Estão dirigindo um carro sem freio

Passando por cima de quem não está no passeio.

 

Fazem para desfazer o que não possa valer

Para a mão que ninguém vê, 

Que libera suas feras para saciarem o insaciável.

Inacreditável: tudo está tangenciável,

Não param de alienar o inalienável

E qualquer luz é vista como inflamável.

 

Os cardeais com o diabo nas mãos seguram as rédeas,

O que há para contê-los é uma comédia:

Não segura, não controla, não regula.

Os cardeais pulam e manipulam toda a bula.

Os cardeais estão na direção da idade média.

Não é comédia, é uma tragédia.

 

Nessa festa os filhotes são piores que os pais.

Hoje é pior que ontem, devoram cada vez mais.

A chave da condução está nas mãos de cardeais

Que atropelam a quem não os servem e transportam os seus chacais.

Cada vez mais as almas mais tortas

Tomam conta das chaves das maiores portas.

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