DUAS VIDAS
Maduros anos caminhando nesta estrada
Depois da aurora do sonho materno
Materializado – eu me lembro.
Foram passos longamente percorridos
Costurando a roupagem da vida
Desorganizada – eu me lembro!
E tu vieste, verdejantes vinte anos
esquecendo os maduros ao redor
iludidamente – eu me lembro.
Posso ser ácido, azedo, salgado e amargo
nessa salada de sentimentos duros que exponho
decididamente – eu me lembro.
Mas você se é doce na folha é amarga no talo
e vocifera agressão quando sussurra carinho
desordenado – eu me lembro!
Não chore, mulher, o córrego seca
após as chuvas e o solo fica estéril
longamente – eu me lembro.
Não vejo o belo no espelho
não choro passividade nas pegadas
resumidamente – eu me lembro.
Assim foi nos dias já ultrapassados
como visto do alto destas cãs
abertamente – eu me lembro.
Fizemos a vida como ela está
subterfúgios ludíbrios sem panaceia
decididamente – eu me lembro,
peremptoriamente!
Olinda,
28/05/2024.
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