O espírito
O espírito dos navios negreiros, da colonização
Dos juros, da inflação,
Das bolsas que me deixam sem chão
E de tantas outras pedras que dificultam a caminhada
É como semente enterrada:
Some pra dar lugar a uma nova,
Na qual a essência se renova.
A nova é a velha marca d'água.
O novo é de novo a barca furada.
Tudo muda e nada muda
No som que toca a grave e a aguda.
As notas estão nas mãos de Judas,
Que toca uma viola absurda,
Que viola as leis naturais
E torna imortais as linhagens dos feudais.
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