O som desse adeus
A tua boca ainda ressoa no eco do quarto (são
palavras que ficaram bordadas na pele, perdidas
na bainha dos lençóis que as noites brancas
enxovalharam) como restos de um beijo que perduramnos retratos.
Ficou o teu perfume quando abro o livro de poemasque
deixaste por ler, o mesmo que largaste ao lado docandeeiro
que de tão cansado já não vive. Não há luz queresista ao
desencanto de uma cama, ao suor lavado e à voz mortade um
corpo que emerge do vazio e se ilustra no frio dascinzas.
Não fechaste a porta antes de sair e por momentosachei
que as palavras largadas ao acaso regressariamcontigo.
Mas não, escusaste-me ao som desse adeus.
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