O giz do arbítrio

 

 

E não pude me socorrer e mais um dia se passou.

Os pássaros cantaram pela manhã, noticiando a chegada de um novo dia.

As águas do lago refletiram o dourado do sol que ainda tímido sublimava o frio da noite.

O riacho murmurou a placidez das horas em mesmice infinita.

Flores se abriram, sorrindo para a perenidade do momento, enquanto outras se fecharam anunciando um entendimento da vida que jamais pude alcançar.

E no céu azul as nuvens pintaram de branco as figuras imaginárias e únicas, presente da criação para mostrar que o infinito mora apenas no olhar.

Tão simples e até singelo o passar deste dia.

Amanhã não serei mais o mesmo.

Estarei modificado pelos fatos de hoje, pelas lições inacabáveis escritas pelo tempo, 
na negra tela rabiscada pelo giz do arbítrio.

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