OS BÊBADOS

A aldeia sabe porque não se dorme
se sem a palha do amor, ela aprendeu
a mover-se entre o colar de brasas
e as picadas da fome e do medo, yes
a aldeia está cheia de borrachos
e bêbadas, nenhuma criança nasce
ali, apenas chora sob praças e ruas
cheias de prédios e pontes vergados 
feito alcóolatras inveterados 
cujas entranhas não dizem nada
porque à noite ela transforma-se 
numa alcova de tatus e minhocas
num abrigo de morcegos e ursos
hibernando sua tristura; e acima
das cabeças de todo o populacho
estranhos/conhecidos ruídos
vergam a última escola e emplumam
com cinzas e poeira e enxofre
o derradeiro leito hospitalar. 

Levemente embriagados
Deus e Pedro e doze mil apóstolos
no ronco baboso dos justos.

18 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.