Soneto do Efêmero
Adeus às essências de cristal polido,
aos véus que enganam mãos sedentas de verdade.
A poesia não cultiva o imutável — habita
o instante em que o caos, vestido de ritmo,
devolve ao olho bruto o seu próprio reflexo,
sem mentira, sem mapa, sem nome. Não há
consolo no verso, só o corte súbito
que sangra sentido no branco da página.
Celebra o efeito, não a causa; o tremor,
não o osso. Desfaz certezas como um vento
que apaga seu rastro na areia molhada.
O informe, sob a máscara do compasso,
cuspindo de volta o que nunca foi nosso,
um espelho sem fundo, um fogo sem brasa.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Olhares
os olhos discursam o amor na proporçaão inata da parcimônia que finge nos infinitos da alma cada olhar resume o trânsito das veias da vid…
AurelioAquino
VEM AQUI UM POUQUINHO
Eu te espero, querida, Já estou enraizando, Vem aqui um pouquinho, Estou te chamando. Não se faça de besta, Eu sei que está ouvindo, Min…
Celso Ciampi
Aconcágua
Deixe voar com as asas
da nossa imaginação,
As suas letras no ritmo
de um só coração,
Até alcançar o Aconcágua,
o ponto…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Dedicação.
Quantas vezes honrei meus amigos até pessoas estranhas ao meu convívio- para dizer que era um poeta... mas ninguém acreditou - e até hoj…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*