Eduardo Padial

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Poesia do Mar Imperfeito

Os ventos antigos ainda respiram à toa.

Será que as estrelas já não se lembram deles?

As velas que procuram terra sabem

que o infinito é feito de areia passageira.

Não há chegada, somente o caminho se alonga,

e o sal nos lábios queima feito um destino,

é o sulco aberto pela quilha. 

O castigo não é a morte que nos separa,

mas o círculo eterno: vento e água,

vento e água, até que o próprio nome se desfaça.

E o barco — sempre o barco — persiste em seu giro,

tecendo espirais neste mar imperfeito.


 

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Poesia do Mar Imperfeito

Os ventos antigos ainda respiram à toa.

Será que as estrelas já não se lembram deles?

As velas que procuram terra sabem

que o infinito é feito de areia passageira.

Não há chegada, somente o caminho se alonga,

e o sal nos lábios queima feito um destino,

é o sulco aberto pela quilha. 

O castigo não é a morte que nos separa,

mas o círculo eterno: vento e água,

vento e água, até que o próprio nome se desfaça.

E o barco — sempre o barco — persiste em seu giro,

tecendo espirais neste mar imperfeito.


 

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Soneto do Efêmero

Adeus às essências de cristal polido,

aos véus que enganam mãos sedentas de verdade.

A poesia não cultiva o imutável — habita

o instante em que o caos, vestido de ritmo,
 

devolve ao olho bruto o seu próprio reflexo,

sem mentira, sem mapa, sem nome. Não há

consolo no verso, só o corte súbito

que sangra sentido no branco da página.


Celebra o efeito, não a causa; o tremor,

não o osso. Desfaz certezas como um vento

que apaga seu rastro na areia molhada.


O informe, sob a máscara do compasso,

cuspindo de volta o que nunca foi nosso,

um espelho sem fundo, um fogo sem brasa.

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