TUA BOCA VEM LENTA, SEM DEMORA
Tua boca vem lenta, sem demora,
E acende em mim um lume sem medida.
Cada toque é desejo que devora,
Cada suspiro, um passo pra a caída.
Teus dedos traçam mapas na minha pele,
Sabem caminhos que eu nunca nomeei.
E o corpo, quando ao teu calor se apele,
É chama viva — e arde sem porquê.
Gemidos são poemas entre os dentes,
O mundo desfaz-se entre lençóis,
Num tempo onde só somos os ardentes.
E após o fim, são nossos corpos sós,
Unidos, exaustos, nus, incandescentes,
Num chão sagrado feito só de nós.
Maria Antonieta Matos - 2025