Demônio dos santos
A verdade é uma moça sem roupa.
Não pode sair à rua.
Mataria de vergonha a família bem vestida,
Que passeia em charretes de rodas de açúcar.
A moça sem roupa causaria alvoroço,
Agitaria os ventos que iriam:
Virar e revirar tapetes, capas, cartolas,
Derramar lágrimas, taças de vinho, vômitos,
Desfazer cortinas de fumaça,
Mostrar o que se passa,
Jogar luz na adega,
Mostrar as mãos dos que dão as cartas.
A moça sem roupa
É o demônio dos santos,
Deixaria a família bem vestida com a cara no chão,
Sem saber onde pôr os pés.
Ela os deixaria sem poder abrir a boca.
A moça sem roupa pode fazer chover
E as rodas da charrete são de açúcar.
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