FOGO DE OUTRORA
Sinto desejo de ter, na mesma hora,
Esse fogo de outrora que me ardia,
Chama febril que em sonhos me consumia,
Luz que do peito em ânsias se evapora.
Era loucura, sim, que me devora,
Delírio doce em febre que me guia,
A mesma chama que o tempo desafia,
E que a razão, vencida, ignora e chora.
Oh labareda antiga, vem, retorna,
Acorda em mim a fúria tão perdida,
Refaz em chamas a alma que se deforma.
Pois sem o teu calor não há mais vida,
E o coração, sem fogo, se transforma
Num frio mármore em sombra endurecida.
Maria Antonieta Matos
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