SOB A PALPEBRAL SOMBRA DO HORIZONTE

Ao azul sabor do vento,
sob a palpebral sombra do horizonte,
sigo desatinado por entre sendas do silêncio. 

Devaneando reminiscências, 
desanuvio-me.

De repente, a noite me acontece, 
perpetuamente grávida de mistérios,  
debruçando-se, imensamente negra, 
ante o abstrato tempo da espera do verso.

E assim, amalgamado a este sereno,
desvencilho-me por inteiro 
da seta cinza do ocaso, 
através das asas enluaradas 
da palavra que tanto me abisma.   

 

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