Tardezinha ensolarada numa praça de Lisboa
Queria tanto saber cantar
disse a pomba que arrulhava
catando os restos de pão
na beira de uma calçada
Já eu o que mais queria
é poder planar no ar
disse o homem que passava
varrendo o lixo da estrada
Pois não quero incomodar
disse a poeta que ouvia
debruçada na janela
do terceiro ou quarto andar
Já que a mim o que me resta
é só cantar e voar
E baixou as persianas
retornou a sua mesa
e se pôs a rabiscar
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