O touro de Minos
Este mundo, um labirinto,
em que, desnudo, percorro
mil corredores, faminto
Essas grossas amplas veias
pulsam o sangue da nobreza
inflamado por centelhas
de vaidade e de tristeza
Deixo pegadas de homem
sob o jugo de um instinto
e em cadência meus passos
ressoam sem som distinto
Bifurcam-se galerias
e espelham-se encruzilhadas
curvadas paredes frias
se giram entorno de um nada
Nos becos deste recinto
ouço o eco de sussurros
sei que há mais labirintos
por detrás dos altos muros
Persigo a linha da vida
que se enovela a um centro
onde a morte, uma saída,
retoma o fio do tormento
Todo o fogo que devoro
não renova o meu vigor
tanto mais devoro o fogo
mais flameja a minha dor
Passam sóis e passam luas,
nuvens tornam o céu finito
sobre a pele nua e crua
pesa o pó de um gasto mito
Só o fim desta quimera
quiçá me salve da sina
vencido por outra fera
mais ardilosa e assassina
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