Ponto de fuga
Em frente à janela se estende
uma rua
lavrada de puro asfalto
ladeada de altas paredes
armadas de cimento liso
Listras de janelas
sobem
descem
abaixo
acima
No cabo da rua,
um paredão
branco
duro
põe ponto às paralelas
que bem se sabe,
noutro caso,
se cruzariam nem mesmo
no oceano
do infinito
E além dos muros?
Aí já não sei
O que sei é que
que entre eles
isso sim
se vem morrer
se vem sofrer
e se curar. É hospital
Mas às vezes
me pego na crença
que além do beco
pisca um recomeço
ou
que atrás da fria
pálpebra
da esfinge adormecida
um tenso olhar
sonha
e espreita
E não de raro
me peço
que dos confins
deste sono
a sã pergunta
decifre
todas vãs
servis respostas
que me amiúde
devoram
a graça infinda
de ver
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