Fui pro ar perdi o lugar
Não gosto de me expandir
sempre que me retorno
está faltando um pedaço:
vai ficando dia a dia
largo o rasgo, grande o espaço
onde não cabe mais nada
que se ajeitar no escasso
E, no entanto, não encontro
das proporções, a devida
que costure em leves traços
os retalhos de uma vida,
quem conserte o estilhaço
e que me lamba a ferida,
quem me contorne um abraço
e me devolva à medida
Tudo aquilo que não toco
vaga pra sempre perdido
como um desejo moído
pela pedra do cansaço
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