Descrença
Quando já não creio em nada,
nem nas promessas, nem nas leis,
nem nos templos erguidos por mãos cegas,
nem nos tronos dourados de vaidade,
nem nas verdades que mudam conforme o vento —
sinto a dor antiga do humano,
essa ferida que não cicatriza.
O vazio me habita,
ecoando entre ruínas e telas,
entre o cansaço dos dias
e a desesperança que nasce
do excesso de lucidez.
E ainda assim —
busco um fio,
um lampejo,
um sentido ínfimo,
para continuar existindo.
AntôniaK
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