As rugas

Não são do tempo

São do sol

Do mato

Do milho defolhado

Da fazenda em combustão

Do carvão que se desfaz

Da terra presa nas unhas

 

As rugas

São fábulas perdidas

Na rudeza da época

 

As rugas

São asfalto do Estado Novo

São carícias de Salazar

 

As rugas

São o grito entalado na derme

São o artifício da mulher silenciada

 

Esta mulher carregava

Nos olhos

A navalha

Da revolução

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